Tuesday, November 29, 2016

Resenha: Como chegar ao sim: a negociação de acordos sem concessões, de Bruce Patton



I – O problema
A maioria das pessoas, quando se depara com uma negociação, tende a assumir uma das seguintes posturas: ou é afável, tentando ser amistosa com a outra parte, e então, fica vulnerável demais diante daqueles que adotam uma postura mais rígida; ou é do tipo “durão”, áspero, se aferrando às suas posições, e, com isso, tenta vencer o jogo da negociação, mas pelo método da força bruta. Em ambos os casos, as negociações podem até produzir acordos, mas esses talvez não sejam os mais sensatos. O que fazer, então?
Patton propõe um modo diferente de negociar, ou seja, uma negociação baseada em princípios, fundada nos méritos. Essa técnica de negociação está alicerçada em 4 pontos fundamentais, descritos a seguir.
II – O método
1. Separe as pessoas do problema. O que nós muitas vezes fazemos diante de uma negociação com outras pessoas é confundir as emoções com o problema central da negociação. É preciso separar a substância (objeto da negociação), do próprio processo de negociação. E todos os participantes têm a expectativa de que a negociação se desenvolva bem em ambos os planos: tanto no plano da relação quanto no plano do objeto que está sendo discutido. Quando a outra pessoa revela emoções negativas durante o processo, o autor sugere que você a deixe desabafar. Não reaja aos sentimentos negativos dela: simplesmente deixe-a desabafar. Isso fará com que ela perceba que você está atento aos problemas dela, o que facilita a comunicação e, consequentemente, aumenta as chances de desenvolver um acordo que seja bom e sensato para ambas as partes da relação.
2. Concentre-se nos interesses, e não nas posições. Ficamos apegados a uma determinada posição no processo de negociação, e isso com frequência obscurece o que está por trás do problema, que é a revelação de nossos interesses subjacentes. É importante que a negociação se baseie nos interesses das pessoas, e não nas posições. E o que são interesses? Interesses são aquilo que motiva as pessoas; a posição é aquilo que você decidiu. Seus interesses, portanto, são aquilo que fez com que você se decidisse dessa forma. A relevância de buscar os interesses por trás das posições é destacada de modo bastante apropriado no seguinte trecho do livro (p. 60):
“Quando se examinam realmente os interesses motivacionais por trás das posições opostas, frequentemente se descobre uma posição alternativa que atende não apenas aos interesses de uma das partes, como também da outra.”
É de se ressaltar, ainda, que as pessoas normalmente têm múltiplos interesses por trás de uma negociação, e não apenas um, e isso também se aplica a você, que deve, tanto quanto possível, falar de forma franca e sincera sobre seus próprios interesses na resolução do problema. “Seja firme com o problema, defendendo de modo sincero seus interesses, mas afável com as pessoas”, é a recomendação do autor, para que soluções sábias sejam encontradas.
3. Invente opções de benefícios mútuos. Ou seja: crie uma variedade de possibilidades antes de decidir o que fazer. Não decida sob pressão, e enquanto estiver sob pressão. Reserve um tempo se preparando para a negociação, pensando nas diversas soluções possíveis que promovam os interesses comuns e conciliem, de forma criativa, os interesses divergentes.
Como as negociações normalmente se desenvolvem num ambiente de tensão, em que cada parte quer extrair o máximo de benefícios a seu favor, é lugar comum pensar que só existe uma única solução plausível para o problema. Puro engano. Isso não passa de um julgamento prematuro do problema. O autor sugere a realização de uma sessão de braimstorming, a fim de que se consiga reunir a maior quantidade possível de opções que podem ser aceitas a partir de uma negociação.
Além disso, há mais interesses comuns numa negociação do que se supõe, só que eles não estão imediatamente evidentes. Dessa forma, o autor sugere (p. 91):
“Os interesses comuns estão latentes em toda a negociação. Mas podem não ser imediatamente evidentes. Pergunte a si mesmo: será que temos um interesse comum em preservar nosso relacionamento? Quais são as oportunidades de cooperação e benefício mútuo mais adiante? Qual seria o ônus se as negociações fossem interrompidas? Os interesses comuns são oportunidades. Para que sejam úteis, é preciso deduzir algo a partir deles. É conveniente explicitar o interesse comum e formulá-lo como uma metacomum. Em outras palavras, faça dele algo concreto e voltado para o futuro”.
4. Insista em critérios objetivos. Quando os interesses em jogo são diametralmente opostos, e o negociador do outro lado da mesa é teimoso em aceitar um acordo, faça com que o acordo caminhe para algum padrão justo, independentemente da vontade de qualquer das partes. Esse padrão pode ser o valor de mercado, alguma opinião especializada, as práticas costumeiras utilizadas em situações semelhantes, não importa. Atuando desse modo, nenhuma das partes precisa ceder à outra, uma vez que ambas estarão acatando uma solução justa e imparcial.
Os benefícios de estabelecer acordos com base em critérios objetivos não se resume a apenas isso, uma vez que eles permitem que as negociações se desenvolvam de maneira mais amistosa, imparcial, justa, com o uso mais eficiente do tempo, e com menores custos para ambas as partes, que ficam, também, mais satisfeitas, tendo em vista que os acordos não resultam da prevalência da vontade de um em detrimento da do outro, mas sim do uso de parâmetros objetivos previamente delineados.
Para chegar a um acordo com base em critérios objetivos, é preciso ter disciplina, não ser reativo diante de comportamentos emocionais da sua contra-parte na negociação, ser paciente e fazer as perguntas apropriadas ao contexto em que a negociação está se desenvolvendo.
III – Sim, mas…
Se eles forem mais poderosos que você, o autor sugere o desenvolvimento de uma MAANA – Melhor Alternativa à Negociação de um Acordo – que nada mais é do que o que você faria se não chegar a um acordo. Trata-se de criar opções, criar alternativas, que sejam viáveis e utilizáveis caso as negociações com os outros não prossigam. De certa forma, já abordamos esse tema em nosso blog, no artigo Crie possibilidades de escolha.
Se eles não quiserem negociar, Patton sugere o uso da estratégia do jiu-jitsu da negociação, ou seja, em vez de resistir à força dele, assumindo uma posição defensiva (e pouco útil para realizar acordos), “canalize-a para a exploração de interesses, a invenção de opções de lucro mútuo e a busca de padrões independentes” (p. 128). Procure entender as razões pelas quais ele está te atacando, e reformule o ataque a você como se fosse um ataque ao problema. Não defenda suas próprias ideias (pois ele entenderia isso como uma contra-ataque): pelo contrário, peça críticas e conselhos. Em vez de fazer afirmações, faça perguntas, pois as perguntas geram respostas, ao passo que as afirmações geram resistência. Além disso, adote uma postura de silêncio, pois isso fará com que ele seja psicologicamente compelido a rompê-lo, seja respondendo à sua dúvida, seja fazendo mesmo uma nova sugestão sobre a negociação em questão.
Finalmente, se eles tentarem usar truques sujos, como tentativas de enganá-lo, omitindo informações ou mesmo aumentando as exigências quando se está perto de um acordo,  as recomendações de Patton são simples, diretas, porém eficazes: identifique a tática suja, aborde explicitamente esse problema e questione a legitimidade e a conveniência dessa tática – a fim de negociá-la. Não se trata de fazer um contra-ataque à pessoa que está do outro lado da mesa (lembre-se da primeira regra: “separar as pessoas do problema”), mas sim de fazer com que ela se preocupe efetivamente com a possibilidade de afastar você por completo do jogo; ademais, isso lhe dará uma chance de negociar as regras do jogo.
Nesse ponto, o autor recomenda enfaticamente evitar o uso de ameaças no processo de negociação, advertindo claramente que os bons negociadores raramente recorrem a elas, uma vez que há outras maneiras de comunicar a mesma informação.
No final do livro, o autor responde às dez perguntas mais frequentes que lhe fazem sobre “como chegar ao sim”, reforçando os conceitos explicados ao longo da obra, sobre sua estratégia de negociação baseada em méritos.
Conclusão
Trata-se um livro bastante interessante, com conceitos úteis, fáceis de entender, pragmáticos e com aplicabilidade prática a quase todas as situações da vida que envolvam negociações e conflitos, particularmente aquelas que ocorrem no âmbito comercial, embora também seja útil no campo das relações pessoais e familiares.
Talvez uma das maiores dificuldades das pessoas em conseguir boas negociações reside em lidar com aspectos emocionais que afloram durante um conflito. Saber separar a razão da emoção, ou melhor, a pessoa do problema, é fundamental para “se chegar ao sim”. Porém, isso por si só não basta. É preciso também estudar o próprio problema, pesquisando os interesses conflitantes que estão por trás das negociações, e desenvolver respostas apropriadas e soluções factíveis e satisfatórias que atendam aos interesses de ambas as partes – daí a importância dos dois parâmetros seguintes da técnica de negociação aqui abordados.
Por fim, um bom acordo é aquele que se baseie sobre os méritos de se terem escolhido critérios objetivos na solução das controvérsias, sem que prevaleça, de modo arbitrário, a pura e simples vontade de uma das partes litigantes. Daí a importância do quarto parâmetro: insistência em critérios objetivos.
Gostei do livro porque permite abordar as negociações numa série de atividades ligadas às finanças pessoais: negociações de compras de consumo, tarifas bancárias (incluindo anuidades de cartões de crédito), ativos financeiros em que se requer uma negociação “cara a cara”, como imóveis residenciais, imóveis comerciais, terrenos,  e outras situações similares. Leitura aprovada e recomendada! 😀

As 7 habilidades do bom negociador


Raúl Candeloro
Conselhos do professor Willian Ury:
Responda rápido: de cada dez decisões que você toma, em quantas precisa negociar? Se a resposta foi “em todas”, você está no caminho certo, e tem grandes chances de se descobrir um excelente negociador.

Para realizarmos nossas tarefas, somos obrigados a negociar todos os dias. Você já parou para pensar em quantas decisões teve de partilhar com outras pessoas, só hoje, em casa e no trabalho?

Em passagem pelo Brasil, o professor William Ury – fundador e diretor do Programa de Negociação da Universidade de Harvard e autor do best-seller Getting to Yes – abriu o Fórum Mundial de Negociação, realizado em São Paulo pela HSM (www.hsm.com.br), definindo negociação como uma comunicação em duas vias, com um interesse em comum.

A negociação é um processo interpessoal, e o maior obstáculo é a nossa tendência de agir sem pensar, o que nos faz cometer erros. Além disso, há muita emoção em uma negociação, e o alto desgaste de energia, muitas vezes, prejudica o desenrolar do acordo.

Ury identificou sete habilidades muito importantes para um profissional se tornar um negociador bem-sucedido. Essas habilidades estão divididas em três grupos: pessoas, problemas e decisões. Abaixo, você saberá quais são essas habilidades e como você pode desenvolver uma a uma, para se tornar um grande negociador!

GRUPOS - HABILIDADES

Pessoas
1 – Filósofo
Tenha uma perspectiva
2 – Psicólogo
Coloque-se no lugar do outro

Problema
3 – Detetive
Descubra os interesses
4 – Inventor
Invente opções
5 – Juiz
Avalie o que está sendo proposto

Decisão
6 – Estrategista
Pense antecipadamente
7 – Diplomata
Construa uma ponte

Habilidades relacionadas a pessoas:

- Habilidade de ser filósofo – Mantenha a calma, o autocontrole e tenha uma perspectiva. Não perca de vista o objetivo. Dedique o mesmo tempo para preparar e para falar, conte até dez antes de responder e tenha certeza de que entendeu o que o outro está propondo. Não se esqueça de ouvir a si mesmo, observando suas reações para não “entregar” o jogo.

- Habilidade de ser psicólogo – Coloque-se no lugar dos clientes. Ouça mais do que fale e faça isso para entender, não para refutar. Tenha respeito pela outra pessoa, não censure nem humilhe. Considere as questões levantadas e aconselhe-se antes de decidir. Crie uma relação de confiança e respeito.

“Para cada minuto de negociação, você deve ter um minuto de preparo”

Habilidades relacionadas ao problema:

- Habilidade de ser detetive – Tente descobrir o máximo possível de informações da pessoa com quem está negociando. Quais são seus interesses e motivações? E suas necessidades, desejos, preocupações? Utilize perguntas como: “Ajudem-me a entender suas necessidades” ou ainda “Por que não?”, “O que haveria de errado em...?“ e “Pelo que entendi, seus interesses são...”.

- Habilidade de ser inventor – Em vez de criticar a proposta do outro ou dizer: “Isso não é o que quero”, tente inventar situações. Conversem sobre elas para poderem, juntos, identificar os pontos positivos/negativos da proposta. Invente cenários para que seja possível encontrar uma solução que atenda a seus interesses e aos interesses do outro negociador.

- Habilidade de ser juiz – Durante a negociação, você precisará ser um juiz, ou seja, decidir o que é ou não justo no que está sendo conversado. Esteja aberto aos argumentos, desde que válidos, da outra pessoa. Avalie se o que está sendo dito tem lógica.

“Tão importante quanto os fatos, é a percepção das pessoas com relação a eles. Todos temos percepções diferentes”

Habilidades relacionadas à decisão:

- Habilidade de ser estrategista – Ser um estrategista inclui imaginar quais são as ações que a outra parte pode tomar. É como em um jogo de xadrez: antes de mexer qualquer peça, você precisa avaliar o que aquela ação vai influenciar no jogo do outro. Quais são as peças que ele detém? Qual é a posição delas e que tipo de risco representam? Isso envolve pensar bastante antes de tomar qualquer decisão. Muitas pessoas, na ânsia de acabarem logo com a negociação ou de conseguirem o que querem mais rapidamente, acabam agindo precipitadamente. Decidem sem se preocupar com as possíveis reações do outro e se distanciam dos seus objetivos.

- Habilidade de ser diplomata -- É preciso criar uma ponte para que o seu adversário possa chegar até você. Você precisa ser amigável, mas isso não significa que tenha de aceitar tudo o que o outro propõe. Trabalhe para que os outros digam “sim” para suas propostas, e não para que antipatizem com sua pessoa e acabem não conseguindo chegar a acordo algum.

Talvez a maior lição seja mudarmos a maneira como encaramos uma negociação, pois muitas pessoas acham que só há um vencedor. Mas em uma negociação de sucesso não existe um vencedor, mas sim dois (ou quantos forem os envolvidos). O ganho tem de ser mútuo, sempre!

Depois de ler e aprender com essas habilidades, você deve ser capaz de melhorar suas negociações. E para aprimorar suas habilidades, responda a estas perguntas sempre que sair de uma negociação:

1. Quais foram as surpresas?
2. O que funcionou?
3. O que não funcionou?
4. O que eu faria de outro modo?
5. Quais as maneiras de melhorar o acordo?
6. Quais as habilidades a aperfeiçoar?

Conselhos finais do professor Willian Ury:

1 – Pare, olhe, ouça.
2 – Prepare-se sistematicamente.
3 – Reduza o ritmo quando necessário.
4 – Faça intervalos freqüentes.
5 – Invista na confiança da relação.

6 – Vá devagar, principalmente se tiver pressa.
7 – Coloque-se na posição do outro.
8 – Mantenha o autocontrole.
9 – Cuidado com as ameaças.

7 características essenciais de um bom negociador





Creditos: Revista Exame - abril 2016


Todo mundo já nasce sabendo negociar. Esta é a visão dos especialsitas no assunto. A grande diferença, no entanto, é saber fazer este processo de forma consciente. “O negociador profissional tem consciência de todo o processo de influência, de convencimento e de abordagem”, diz Mário Rodrigues, diretor do Instituto Brasileiro de Vendas (IBVendas).
Para os empreendedores, ter controle das negociações pode fazer a pequena empresa crescer e ganhar mais clientes. “O bom negociador acerta mais do que erra e não entra na conversa pensando em tirar só o mínimo”, ensina Marcelo Ortega, palestrante de vendas e consultor empresarial. 
Ser um negociador melhor inclui entender que esta não é uma situação de conflito. “A negociação só acontece porque existem partes com ideias distintas. Se não tiver tensão, não precisa negociar”, indica Rodrigues. Isso não significa que toda negociação deve ser uma batalha. “Não é uma luta. Os dois lados têm que sair felizes”, diz Ortega. 
1. Busque a objeção
Tendo em vista que a negociação é uma situação de tensão, é preciso enxergar a objeção do cliente como um sinal de compra. “Gostar de objeção e do questionamento é negociar bem. Quando a pessoa propõe uma barreira, ela quer um convencimento e indica que quer comprar com você”, ensina Ortega. Falta de objeção indica falta de interesse do cliente. 
2. Estar pronto para o “não”
Para Ortega, saber dizer ‘não’ é essencial para ser um negociador que tem lucros. “Quando aprende a dizer não, passa a ser mais comandante da negociação”, explica. Segundo ele, os empreendedores não podem se intimidar e nem se omitir durante a negociação. Mesmo negando um desconto maior, por exemplo, é preciso propor algo para agradar o cliente. 
3. Criar empatia
A empatia é uma das qualidades indispensáveis, segundo Rodrigues. “O bom negociador está acostumado a lidar com gente. É capaz de se colocar no lugar do outro”, explica.
As pessoas gostam de se sentir confortáveis na hora da venda. “Negociação se faz com clima empático e não trágico. Tem que criar sintonia com o cliente para evitar conflito”, diz Ortega. 
4. Ter calma
Não se mostrar muito ansioso ou afobado é importante. “É preciso calma. Cale-se e venda. Meça a opinião do cliente conforme as respostas dele”, diz Ortega. Ouvir o cliente é essencial para conduzir a negociação. Usando os argumentos do próprio consumidor fica mais fácil entender o que ele quer e auxiliar na tomada de decisão.
5. Ser comunicativo e criativo
A comunicação também é uma característica comum aos empreendedores que negociam bem. “É uma coisa mais natural, mas existem técnicas que ajudam a desenvolver. É fundamental passar claramente sua posição para mostrar detalhes que o cliente talvez não tenha visto”, indica Rodrigues. 
6. Ter capacidade investigativa
Faça perguntas. Este é o conselho para quem quer aprender a negociar melhor. Ter capacidade investigativa para descobrir o que o cliente quer de verdade com a compra é bastante relevante. “Não se dar por satisfeito com as primeiras respostas ajuda muito”, afirma Rodrigues. 
7. Ter tino comercial
Pode parecer óbvio que os empreendedores precisam de tenacidade comercial, já que seu objetivo é vender algo. Mas Rodrigues explica que esta habilidade vai além disto. “É a capacidade de fazer acontecer, um senso de urgência, de não perder oportunidades”,

Sunday, November 1, 2015

ANCORAMENTO E AJUSTES





                                                                                                        “Negociando Racionalmente”
                                                                                         Max H. Bazerman/Margaret A. NeAle.
                                                                                                                                 Editora Atlas.


Em uma Negociação, potenciais âncoras são infindáveis. Podem ser tão relevantes quanto contratos
anteriores ou tão irrelevantes quanto um número determinado aleatoriamente. Até mesmos fatores
normalmente associados a desempenhos melhorados, tais como objetivos, podem reduzia a eficácia de um negociador se não forem cuidadosamente projetados. Não deixe uma âncora minimizar a quantidade de informação que se busca é tão pouco se limitar o raciocínio lógico a ser empregado para avaliar a situação. Além disso, não de muito peso a oferta inicial de seu oponente no início da negociação, sabemos que todos temos interesses em maximizar os lucros ou ter um excelente fechamento de negócio, seja qual for o objeto a ser negociado, não se deixe levar pelo valor inicial, pois, nesse momento seu oponente deseja ancorar as negociações ao seu favor.
Durante as fases iniciais estaremos sucetíveis as âncoras de nosso oponente, não se deixe abalar, não legitime uma oferta inaceitável ao fazer uma contra oferta, saiba o suficiente sobre as questões em disputa para reconhecer âncoras irreais. Coma já estudamos aqui, a preparação para uma rodada de negociação é muito importante pois, estará preparado para identificar as possíveis âncora no jogo nas negociações, enfatizamos que uma boa preparação evitar a ser colocado em desvantagem.


TROCA DE INFORMAÇÕES


Negociar é Preciso
G. Richard Shel - NegócioEditora


É melhor investigar a pessoa com quem negocia...
Do que tirar conclusões precipitadas.

Sir Francis Bacon (1597)



O processo de troca de informações é a primeira etapa vital da fase interativa das negociações. Em geral, visa três objetivos. Primeiro, as partes estabelecem uma comunicação aberta, utilizando, caso a situação permita, um tom pessoal e amistoso. Segundo, determinam os interesses e questões a serem negociados e compartilham informações a respeito de suas percepções dessas questões. Finalmente, emitem sinais com relação aos seus respectivos poderes de influência.
A troca de informações deveria ser tratada distintamente em cada situação. Quanto mais altos forem os riscos com relação ao relacionamento, provavelmente mais estratégicas as partes serão. Declarações de abertura pragmática e blefes com relações às questões podem ser esperadas em uma situação de Transação, enquanto o desenvolvimento da harmonia pode ser o aspectos mais importante de uma situação de Relacionamento. Em muitas culturas do mundo , um tempo bastante longo para o desenvolvimento da harmonia é uma pre- condição para qualquer negociação, independentemente do contexto.
A etapa preliminar de troca de informações acaba e a etapa de negociação tem início quando o outro lado faz uma oferta de abertura viável e concreta que exija uma reação recíproca. Esse é o nosso próximo assunto no processo de negociação.

TROCA DE INFORMAÇÕES
UM CHECKLIST

- Estabeleça harmonia;
- Obtenha informações a respeito dos interesses, questões e percepções
     Investigue primeiro, revele depois;
- Emita sinais a respeito do seu poder de influência.

O PODER DA INFLUÊNCIA



Negociar é Preciso
G. Richard Shel - NegócioEditora

Meu poder de influência se encontra em quaisquer razões que levem o outro lado a querer ou
Precisar de um acordo – desde que eu conheça essas razões.
Bob Woolf



Agora você deve estar sentindo-se mais confiante com sua compreensão a respeito da Negociação. Já possui conhecimentos sobre estilos pessoais de negociação, metas, relacionamentos e interessas, mas o fator mais importante para as negociações de alto risco está à frente de nós. É o Sexto Fundamento da Negociação  Efetiva. O Poder da Influência. O poder da influência é a sua capacidade de não apenas realizar acordos, mas realizá-los dentro de suas próprias condições. As pesquisas mostram que, com poder de influência, até um negociador médio se sairá muito bem, enquanto, sem ele, somente os negociadores muito habilidosos atingem suas metas. A parte que  detém o poder de influência sente-se confiante; a parte que não o possui normalmente sente-se nervosa e insegura. Vamos iniciar com algumas histórias comuns de negociações para ilustrar o que significa o poder da influência.
O poder da influência é uma variável vital para negociação. A parte que tiver menos a perder, caso o acordo não seja realizado, normalmente é a que se pode dar ao luxo de insistir que as condições difíceis do acordo sejam eliminadas. Você pode elevar o seu poder de influência por vários procedimentos diferentes, incluindo a busca de boas alternativas para atingir suas metas mesmo fora da mesa de negociação, ganhando o controle sobre o que o outro lado quer, estabelecendo alianças, ajustando a situação para que a outra parte sinta-se desprestigiada, caso o acordo não se concretize, demonstrando ao outro negociador que você detém o poder para subjulgá-lo materialmente, e assim por diante.
Cuidado com equívocos comuns a respeito do poder de influência. Até mesmo as pessoas menos poderosas podem adquirir poder de influência em qualquer situação específica. E o poder de influência é um fator dinâmico, baseado muito mais na percepção dos fatos. Finalmente, você pode conquistar maior poder de influência, em uma empresa, por meio da demonstração de um comprometimento passional do que pela fria indiferença. Esse é simplesmente o modo contrário como o poder de influência funciona em muitas transações com o mercado.

RESPEITO DO PODER DE INFLUÊNCIA
UM CHECKLIST

- Qual das partes perderá mais, caso o acordo não seja realizado?
- Para quem o tempo se torna um fator?
- Posso aumentar as minhas alternativas ou limitar as do meu oponente?
- Posso ter o controle sobre algo que a outra parte deseja?
- Posso comprometer a outra parte-nos normas que favorecem o meu resultado?
- Posso estabelecer uma aliança para elevar a minha posição ?

Monday, October 26, 2015

O QUINTO FUNDAMENTO. - OS INTERESSES DA OUTRA PARTE


                                                                                                  Negociar é Preciso – G. Richard Shel
                                                                                                                           Negócio Editora 2002

      “Se existir um segredo para o sucesso, ele se encontra na capacidade de entender o ponto de vista
                                   da outra pessoa e enxergar as coisas sob seu ângulo, mas também sob o nosso”.
                                                                                                                                          - Henri Ford.



O negociadores eficazes demonstram uma característica muito importante: a capacidade de enxergar o mundo do ponto de vista da outra parte. Para ser bem-sucedido na negociação, você deve aprender a perguntar como ela seria, de acordo com os interesses da outra parte, para ajudar a conquistar suas metas. Então, você deverá determinar porque a outra parte poderia dizer “não”, assim pode eliminar a maioria de suas objetões. Entender o que a outra parte realmente deseja é vital para a Negociação Baseada em Conhecimento e não é tão fácil quanto parece.
Certa vez aconselhamos a um hospital dos EUA, que estava conduzindo uma experiência com uma nova droga para um Laboratório farmacêutico estrangeiro. Esses testes formam a base para administração de uma nova droga para o FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos). O laboratório farmacêutico estrangeiro recusava-se a seguir uma recomendação do FDA a respeito de como os testes deveriam ser conduzidos. O FDA queria um tipo de formulário com o consentimento por escrito do paciente em testemos a droga experimental, e o laboratório estrangeiro estava determinado a usar o seu próprio, pois, o FDA poderia, como último recurso, recusar todas as descobertas do estudo se o formulário inadequado fosse usado.
A questão era totalmente irrelevante, já que o hospital e o laboratório estrangeiro compartilhavam de significativo interesse. Ambos queriam. Que o projeto chegasse a uma conclusão bem-sucedida e milhões de dólares bem como a reputação de profissionais das duas partes estavam em jogo.
Toda negociação estava fadada a fracassar, até que pedimos ao diretor de pesquisas do hospital para identificar especificamente a pessoa , com poder de decisão no laboratório, que estava dizendo “não”. Essa solicitação forçou o executivo a focar sua atenção em uma pessoa específica e não no “cliente”. Fiquei sabendo que um médico de formação estrangeira, sem experiência nas praticas médicas norte-americanas, era o responsável. Então perguntei por que esse médico, em particular, estaria dizendo “não”.
De repente, as ideias começaram a brotar. Primeiro, a experiência do médico estrangeiro estava de acordo com a versão do FDA do seu país e essa agência, com certeza, não jogaria fora um estudo, baseado nesse tipo de questão. Segundo, o hospital estava sendo representado na negociação por um gerente de nível médio, que não era um médico e nem possuía credibilidade profissional junto ao médico estrangeiro. Os médicos são profissionais orientados para hierarquia  e a cultura nacional do médico estrangeiro reforçava sua tendência. Finalmente, o diretor de pesquisa supôs que o determinado formulário que o laboratório estrangeiro queria usar poderia ser vinculado – de acordo com suas conjecturas  - ao sucesso em cadastrar pacientes no estudo, o que era fator vital.

A partir dessas ideias, que não possuíam nenhuma relação com o conflito entre as partes, surgiu uma espécie  de recomendação. Agora, o problema limitava-se apenas à questão da persuasão. A um determinado médico estrangeiro, trabalhando para o cliente, deveriam ser adotados argumentos convincentes, por uma fonte de confiança (de preferência um médico de seu próprio país que estivesse familiarizado com os processos de aprovação de medicamentos dos Estados Unidos), de que o FDA agia com seriedade a respeito das recomendações. O hospital mantinha contato com médicos estrangeiros. As engrenagens começaram a desemperrar. A negociação estava em pane e uma estratégia para consertá-la havia sido estabelecida.