Monday, October 26, 2015

O QUINTO FUNDAMENTO. - OS INTERESSES DA OUTRA PARTE


                                                                                                  Negociar é Preciso – G. Richard Shel
                                                                                                                           Negócio Editora 2002

      “Se existir um segredo para o sucesso, ele se encontra na capacidade de entender o ponto de vista
                                   da outra pessoa e enxergar as coisas sob seu ângulo, mas também sob o nosso”.
                                                                                                                                          - Henri Ford.



O negociadores eficazes demonstram uma característica muito importante: a capacidade de enxergar o mundo do ponto de vista da outra parte. Para ser bem-sucedido na negociação, você deve aprender a perguntar como ela seria, de acordo com os interesses da outra parte, para ajudar a conquistar suas metas. Então, você deverá determinar porque a outra parte poderia dizer “não”, assim pode eliminar a maioria de suas objetões. Entender o que a outra parte realmente deseja é vital para a Negociação Baseada em Conhecimento e não é tão fácil quanto parece.
Certa vez aconselhamos a um hospital dos EUA, que estava conduzindo uma experiência com uma nova droga para um Laboratório farmacêutico estrangeiro. Esses testes formam a base para administração de uma nova droga para o FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos). O laboratório farmacêutico estrangeiro recusava-se a seguir uma recomendação do FDA a respeito de como os testes deveriam ser conduzidos. O FDA queria um tipo de formulário com o consentimento por escrito do paciente em testemos a droga experimental, e o laboratório estrangeiro estava determinado a usar o seu próprio, pois, o FDA poderia, como último recurso, recusar todas as descobertas do estudo se o formulário inadequado fosse usado.
A questão era totalmente irrelevante, já que o hospital e o laboratório estrangeiro compartilhavam de significativo interesse. Ambos queriam. Que o projeto chegasse a uma conclusão bem-sucedida e milhões de dólares bem como a reputação de profissionais das duas partes estavam em jogo.
Toda negociação estava fadada a fracassar, até que pedimos ao diretor de pesquisas do hospital para identificar especificamente a pessoa , com poder de decisão no laboratório, que estava dizendo “não”. Essa solicitação forçou o executivo a focar sua atenção em uma pessoa específica e não no “cliente”. Fiquei sabendo que um médico de formação estrangeira, sem experiência nas praticas médicas norte-americanas, era o responsável. Então perguntei por que esse médico, em particular, estaria dizendo “não”.
De repente, as ideias começaram a brotar. Primeiro, a experiência do médico estrangeiro estava de acordo com a versão do FDA do seu país e essa agência, com certeza, não jogaria fora um estudo, baseado nesse tipo de questão. Segundo, o hospital estava sendo representado na negociação por um gerente de nível médio, que não era um médico e nem possuía credibilidade profissional junto ao médico estrangeiro. Os médicos são profissionais orientados para hierarquia  e a cultura nacional do médico estrangeiro reforçava sua tendência. Finalmente, o diretor de pesquisa supôs que o determinado formulário que o laboratório estrangeiro queria usar poderia ser vinculado – de acordo com suas conjecturas  - ao sucesso em cadastrar pacientes no estudo, o que era fator vital.

A partir dessas ideias, que não possuíam nenhuma relação com o conflito entre as partes, surgiu uma espécie  de recomendação. Agora, o problema limitava-se apenas à questão da persuasão. A um determinado médico estrangeiro, trabalhando para o cliente, deveriam ser adotados argumentos convincentes, por uma fonte de confiança (de preferência um médico de seu próprio país que estivesse familiarizado com os processos de aprovação de medicamentos dos Estados Unidos), de que o FDA agia com seriedade a respeito das recomendações. O hospital mantinha contato com médicos estrangeiros. As engrenagens começaram a desemperrar. A negociação estava em pane e uma estratégia para consertá-la havia sido estabelecida.

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